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A neurociência e a educação inclusiva.


Adaptado por Luciana Martins Maia do artigo: Contribuições da neurociência à aprendizagem escolar na perspectiva da educação inclusiva, de Denise Russo dos Santos – disponível em: www.faetec.rj.gov.br/desup/images/edutec/02.../artigo_denise-russo.pdf)

As Diretrizes Nacionais para a Educação Especial Básica, Resolução CNE/CEB nº 2/2001 e a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, determina que esteja assegurada a inclusão escolar de alunos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. O atendimento educacional especializado complementa e/ou suplementa a formação dos alunos e deve estar organizado para apoiar o desenvolvimento dos mesmos.

Diante deste cenário educacional, nós educadores, temos em mãos grandes desafios: Como fazer esta inclusão? Será que estamos preparados? Como receber em nossas salas essa diversidade tão heterogênea de alunos? Será que a formação profissional dos educadores permite esse desafio? Será que os educadores atuais estão preparados para receber essa demanda?

Provavelmente, ainda não.

Os novos tempos exigem que os nossos conhecimentos e as nossas ações sejam renovadas. Nos últimos anos os estudos do campo das neurociências têm contribuído muito para um melhor entendimento dessa diversidade cerebral. O professor precisa compreender que existe uma biologia, uma anatomia e uma fisiologia neste cérebro que aprende, tornado-se necessário, portanto, que passe a entender o funcionamento do substrato neurobiológico para que possa ressignificar sua prática pedagógica.

É preciso que os profissionais ligados à educação reflitam sobre a aprendizagem em geral, sobre a importância de se conhecer essas bases como interfaces da aprendizagem, afinal, o cérebro, é, por excelência, o órgão mais organizado do nosso organismo e local onde se forma a cognição. (MORIN,1996).

Relvas (2009) alerta para a importância, por parte do educador, acerca do conhecimento das estruturas cerebrais como “interfaces” da aprendizagem para a ininterrupção do desenvolvimento também biológico. E, de como este conhecimento dos estudos da neurobiologia vêm contribuindo para as práticas em sala de aula, na compreensão das dimensões cognitivas, motoras, afetivas e sociais, no redimensionamento do sujeito aprendente e nas suas formas de interferir nos ambientes pelos quais perpassa.

Bartoszeck (2009) afirma que o professor utiliza rotineiramente estratégias pedagógicas no processo de ensino e aprendizagem de sua disciplina. Todavia, embora atue nas transformações neurobiológicas que produzem a aprendizagem e fixação do conhecimento na estrutura cognitiva da mente, em geral desconhece como o cérebro e o sistema nervoso como um todo funciona na esfera educacional. Algumas dessas estratégias estabelecem uma relação entre os princípios da neurociência sobre como o cérebro aprende e as estratégias que podem ser criadas no ambiente de sala de aula. São elas:

  • Aprendizagem, memória e emoções ficam interligadas quando ativadas pelo processo de aprendizagem. A aprendizagem deve ser vista como atividade social, pois alunos precisam de oportunidades para discutir tópicos. Um ambiente tranqüilo encoraja o estudante a expor seus sentimentos e idéias.

  • O cérebro se modifica aos poucos fisiológica e estruturalmente como resultado da experiência. Aulas práticas/exercícios físicos com envolvimento ativo dos participantes fazem associações entre experiências prévias com o entendimento atual.

  • O cérebro mostra períodos ótimos (períodos sensíveis) para certos tipos de aprendizagem, que não se esgotam mesmo na idade adulta. O ajuste de expectativas e padrões de desempenho às características etárias específicas dos alunos, bem como o uso de unidades temáticas integradoras são necessários.

  • O cérebro mostra plasticidade neuronal (sinaptogênese), mas maior densidade sináptica não prevê maior capacidade generalizada de aprender. Os estudantes precisam sentir-se “detentores” das atividades e temas que são relevantes para suas vidas. Atividades préselecionadas com possibilidade de escolha das tarefas aumentam a responsabilidade do aluno no seu aprendizado.

  • Inúmeras áreas do córtex cerebral são simultaneamente ativadas no transcurso de nova experiência de aprendizagem. São indicadas situações que permitam a reflexão sobre o contexto da vida real, de forma que a informação nova se “ancore” na compreensão anterior.

  • O cérebro foi evolutivamente concebido para perceber e gerar padrões quando testa hipóteses. Promover situações em que se aceite tentativas e aproximações ao gerar hipóteses e apresentação de evidências são indicadas, bem como o uso de resolução de “casos” e simulações.

  • O cérebro responde, devido a herança primitiva, às gravuras, imagens e símbolos. O professor deve propiciar ocasiões para alunos expressarem conhecimento através das artes visuais, música e dramatizações.

Segundo Bartoszeck (2009) com base nestes princípios, podemos afirmar que conhecer as bases neurobiológicas do processo de aprendizagem torna-se crucial para o ato pedagógico, surgindo a necessidade de aprofundamento sobre esse novo saber disciplinar ainda tão desconhecido pela maioria dos professores.

Para Relvas (2009), estes cenários revelam uma relação entre educação e saúde que tem sido, portanto, mediada pela neurociência. Mas o que é NEUROCIÊNCIA? De que maneira ela vem contribuindo para a educação no processo de aprendizagem? Como o professor pode traduzir esses conhecimentos aplicando-os no contexto escolar?

A neurociência é uma ciência recente que estuda o sistema nervoso central bem como sua complexidade, através de bases científicas, dialogando também com a educação, através de uma nova subárea, a neurodidática ou neuroeducação. Este ramo novo da ciência estuda educação e cérebro, entendendo este último como um órgão “social”, passível de ser modificado pela prática pedagógica. (RELVAS, 2009).

Várias disciplinas contribuem para o avanço do conhecimento. A neurociência cognitiva é a mais recentemente estabelecida, e provavelmente a mais importante. (OCDE-2002). Técnicas como neuroimagem, entre outras, estão permitindo os cientistas compreenderem mais claramente os trabalhos do cérebro e a natureza da mente. Em particular, tais técnicas podem começar a iluminar velhas questões sobre o aprendizado humano e sugerir caminhos pelos quais a provisão educacional e a prática do ensino podem melhor ajudar os aprendizes jovens e adultos. (OCDE-2002).

Estas poderosas ferramentas de imagem funcional do cérebro aliadas à integração de diversas disciplinas que investigam a aprendizagem humana e desenvolvimento a fim de reunir educação, biologia e ciência cognitiva, terão forte impacto na profissão da educação. Os professores devem começar imediatamente a explorar quais as formas mais indicadas de responder a toda essa revolução que dominará o cenário educacional no próximo milênio. Será que a metodologia educacional do século XXI está se contrapondo à forma do cérebro de aprender? (OCDE-2002).

O ato de aprender é um ato de plasticidade cerebral, modulado por fatores intrínsecos (genéticos) e extrínsecos (experiências). Sendo assim, dificuldades para a aprendizagem seriam resultados de algumas falhas intrínsecas ou extrínsecas desse processo.

A escola do futuro deve privilegiar no treino cognitivo não só formas de pensamento analítico, dedutivo, rigoroso, convergente, formal e crítico, como formas de pensamento sintético, indutivo, expansivo, divergente, concreto e criativo, interligando-os de forma harmoniosa.

A escola pode, e deve, portanto, ensinar funções cognitivas que estão na base de aprendizagens, simbólicas ou não. Com ensino mediatizado, com prática e treino, as funções ou competências cognitivas de qualquer aluno, seja ele deficiente ou não, podem ser melhoradas, aperfeiçoadas, uma vez que todos possuem um potencial de aprendizagem para se desenvolver de forma mais eficaz do que efetivamente tem feito.

Concluindo, se aprender é promover a aquisição de novos conhecimentos, além de provocar a modificabilidade cognitiva e comportamental e, se todo esse processo resulta do funcionamento cerebral, compreender as bases neurobiológicas da aprendizagem torna-se fundamental na formação do professor no século XXI.

Educar na diversidade é hoje o grande desafio dos professores que irão lidar em sala de aula, cada vez mais heterogêneas, com alunos com deficiências, transtornos, dificuldades, enfim, modalidades diferentes de aprender.

A atenção à diversidade de capacidades, motivações e interesses dos alunos é um objetivo que os profissionais da educação estão tentando abordar há muitas décadas com maior ou menor sucesso. Mas como ensinar da melhor maneira para que esses cérebros possam aprender? Como esses cérebros se organizam, funcionam, quais as limitações e potencialidades desses alunos? Quais as intervenções adequadas para promover a aquisição da leitura e da escrita pautadas em evidências científicas?

Tais questionamentos precisam ser respondidos pelos educadores que devem, urgentemente, buscar cursos onde possam conhecer as bases neurobiológicas do processo de aprender, para através desse conhecimento, que não é ofertado apenas em cursos de formação superior, desenvolver melhores estratégias pedagógicas.

A neurociência oferece um grande potencial para nortear a pesquisa educacional e futura aplicação em sala de aula. Pouco se publicou até hoje para uma melhor análise retrospectiva, mas, sem dúvida, a neurociência se constitui hoje, como uma grande aliada do professor, diante deste cenário tão diverso com a qual iremos nos deparar.

A neurociência nos traz um novo conceito, o conceito do sujeito cerebral. Precisamos compreender que existe uma biologia, uma anatomia, uma fisiologia naquele cérebro que aprende, que é único na sua singularidade dentro da diversidade de alunos em sala de aula.

Conhecer as características individuais dos alunos com necessidades educacionais especiais, a fim de traçar o melhor atendimento a ser ofertado, sem dúvida, fará com que nós, professores, busquemos conhecimentos neurobiológicos advindos das neurociências e de suas subáreas para que possamos lidar com essa realidade construindo conhecimento, adquirirndo novas competências pedagógicas e promovendo práticas inclusivas, que respeitem as diversidades e a singularidade de nossos aprendizes.

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