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Sobre os encantamentos de se construir uma jornada

Durante muitos anos trabalhei alfabetizando crianças. Essa, na verdade, sempre foi a minha grande paixão. As melhores sensações do mundo, para mim, sempre foram ver aqueles olhinhos que chegavam ávidos por aprender a ler e a escrever, e que faziam apenas rabiscos e bolinhas, transformando tudo o que aprenderam em letras, palavras e frases. Ver aqueles serezinhos que pediam pra eu contar uma história, escrevendo seus próprios livros e ganhando o mundo em busca dos seus sonhos, era maravilhoso.

Todos os anos, uma emoção. E todos os anos eu fechava um ciclo e começava tudo de novo, sempre com novas ideias e refletindo sobre o ano que passou. Graças a isso e ao meu amor pelo trabalho, fui me especializando. A prática e o estudo constante me fazia, a cada ano, uma profissional melhor. E a cada ano eu ia inserindo novas técnicas, questionando alguns valores, testando novas estratégias e trabalhando de maneira diversificada com aqueles alunos que apresentavam alguma dificuldade.

Esses alunos sempre foram os mais interessantes, isso porque há alunos que passam pela sua turma e você não precisa fazer nada, eles já se alfabetizam naturalmente. Entendem rapidamente o mecanismo e já saem juntando as letrinhas e fazendo suas combinações. Mas há outros que não aprendem. Para esses, muitas vezes eu chegava a pensar que estava falando uma língua de outro país, completamente desconhecida para eles. E lá se ia todo o meu esforço, todos os meus estudos e todas as minhas experiências. Lembrar de muitos deles ao longo de mais de vinte e cinco anos é reconfortante e maravilhoso. Pensar no que cada um deles deve estar fazendo da vida hoje, é encantador. Saber que você foi responsável por alguma coisa na vida de cada um deles, nossa... é incrível. Sei de um que virou escritor!! E outra que virou professora e mais outro, esse que tinha muita, muita dificuldade, estudou turismo e atualmente fala fluentemente mais dois ou três idiomas!!! Tenho certeza de que não fui perfeita em todos esses anos. Por vezes devo ter errado com alguém, algo pode ter me escapado, mas dei o meu melhor e sempre darei, em tudo o que fizer na minha vida, simplesmente porque amo o que faço e não faço nada que não ame. Pois se não amarmos o que fazemos, nada mais faz sentido.

Trabalhar por mais de vinte cinco anos com algo que não se gosta deve ser extremamente frustrante, mas ao contrário, fazer o que se ama nos dá uma alegria imensa de acordar todos os dias e dizer: “Oba!! Vamos trabalhar!!!” e ficar feliz ao chegar domingo a noite porque no dia seguinte você vai encontrar aqueles seus companheiros de jornada, alegres, agitados, mas com uma inocência e uma espontaneidade que só as crianças têm. Muitas vezes eu chegava cansada, mas ouvir aquele bom dia às sete horas da manhã, fazia meu corpo se encher de energia e dar tudo de mim para aqueles seres que precisavam demais da minha presença.

Cada dia era uma novidade, mesmo com tudo planejado, porque crianças sempre nos surpreendem. Acabei de ler um texto de uma amiga virtual (por enquanto) sobre o quão surpreendentes e deliciosas (por que não?) podem ser as experiências que temos quando nos entregamos de corpo e alma, sem expectativas, só movidas pelo amor e pelo prazer de se aproveitar o tempo com algo que pode ser prazeroso. O quanto o calor de sorrisos e abraços podem trazer mais acolhimento e conhecimento do que horas e mais horas de aulas, que a forma como encaramos as experiências que vivemos podem fazer toda a diferença e mudar as escolhas que temos feito até então.

Nada é por acaso... Não é mesmo... Nunca haverá uma aula igual a outra porque aulas são feitas de pessoas e pessoas são feitas de vivências e sentimentos diversos. E cada aprendizagem, mesmo que seja sobre o mesmo assunto vai soar para cada um de forma diferente. Cada pessoa vai sentir aquilo de acordo com o seu momento, com o seu sentimento.

Na escola, como na vida são necessárias firmeza e constância para que se tenha um bom acabamento, como bem diz minha querida Astrid Kühn (http://goodwords.com.br/blog/), e ainda que, se nos forçarmos a realizar alguma coisa perderemos energia e ficaremos mais cansados do que deveríamos, além disso, a pressa cotidiana também nos faz perder o prazer da construção e da observação da jornada ou de todo o processo.

Aprendemos o tempo todo e, quanto mais praticamos, mais vamos melhorando o nosso desempenho. Muitas vezes vamos errar, mas não há nenhum problema nisso, pois o erro nos faz olhar para a nossa obra com mais atenção. Nos mostra o que é importante e nos faz refletir sobre o que não sabemos e o que ainda precisamos aprender.

Hoje eu não atuo mais com os pequenos... Agora multiplico e compartilho o que eu aprendi em todos esses anos, com erros e acertos, com escolhas e estudos, mas, principalmente, com muito amor no coração e vontade de desafiar de forma positiva e ser desafiada todos os dias a ser uma pessoa melhor e melhor. A não me acomodar diante das injustiças e das incoerências. A acreditar no bom, no belo e no certo, sempre.

Sou pássaro que voa e se encanta com a observação da paisagem e com a contemplação da jornada. Que pousa, que voa novamente e que pousa em outro galho, em outra árvore e que aprende cada dia mais com as diferenças entre os galhos e entre as espécies. Que acredita que, através das vivências e da aceitação dos desafios e da vontade de superá-los e vencê-los é que se faz um mundo melhor.

Educadores, não desistam nunca de seus sonhos. Se estamos neste mundo realizando este papel, tomemos para nós a nossa parcela de responsabilidade e nos entreguemos de corpo e alma (se isso não for possível, que façamos outra coisa da vida), com alegria, sentindo cada passo da nossa trajetória e transformando nossos sonhos educação em realidade.

#amomuitotudoisso #educaçãocompropósito #alfabetizandocomamor #transformandonossossonhosdeeducaçãoemrealidade

P.S. Gratidão, querida Astrid Kühn, pela inspiração.

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