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Conhecendo o cérebro para melhorar o aprendizado

  

 

 

Por mais de vinte anos trabalhei alfabetizando crianças. Sempre tive muito cuidado para não me acomodar em um único método. Durante esse tempo, alfabetizei de todas as maneiras possíveis e estudei muito, de tudo. Algumas colegas me perguntavam porque eu ainda insistia em ficar no ensino fundamental se eu sabia tanta coisa. Mas eu sempre respondi que não sabia tanto assim. Sabia o suficiente para ajudar os meus alunos a avançarem. Mas estudar tem um risco. O risco de você passar a não mais concordar com as coisas prontas, de não querer mais fazer o mesmo sempre, de ter vontade de experimentar. E foi o que eu fiz. Experimentei. Criei, analisei, reavaliei meu trabalho, me refiz. Hoje, mais de duas décadas depois da minha primeira experiência alfabetizadora, não estou mais em sala de aula atuando com crianças, mas ajudando outras professoras a melhorarem sua prática. Minha avó, que estudou apenas até a terceira série primária, se orgulha em dizer que alfabetizou seus filhos, porque naquela época se entrava na escola com 7 anos e se ia para a primeira série (nosso atual segundo ano), já sabendo ler e escrever. Mas se isso acontecia com todos, quem alfabetizava essas crianças? Todos conseguiam aprender? E por que atualmente isso é tão difícil? Por que há alfabetizadores e demais professores sem saber o que fazer com os alunos que não conseguem avançar?
        Atualmente vemos professores desesperados por tudo. Pela indisciplina, pela falta de respeito, por conta da agitação das turmas, das notas baixas, da falta de atenção. Estressados pelo fato de alguns alunos simplesmente não conseguirem aprender. E alguns professores simplesmente não conseguem ensinar. Não conseguem por que lhes falta formação. Muitas vezes não lhes falta formação acadêmica. São pedagogos, conhecem Piaget, Vygotsky, Ferreiro e outros autores consagrados da educação. Teoria sabembastante, mas não conhecem como funciona o cérebro. O conhecimento sobre o funcionamento do cérebro, ou seja, como este age em relação a aprendizagem é muito importante para tornar mais produtivo o ato de aprender.
        Situações como indisciplina, agressividade e desatenção irritam os professores e prejudicam sua performance em sala de aula. Para que isso não aconteça, os professores precisam entender a importância da educação emocional e da promoção da saúde mental nas escolas.
        A neurociência, antes relegada apenas à área da saúde, chega a sala de aula para ajudar os educadores a melhorarem seu cotidiano. Estudos neurocientíficos permitem que os professores aprendam como o cérebro funciona, como é provocada a empatia e como o controle dos impulsos impacta no aprendizado.
        Para que a relação ensino / aprendizagem funcione, o professor deve estar atento à estrutura cognitiva e emocional do aluno. Precisa manter um bom relacionamento com ele, senão a aprendizagem não acontece. As aulas devem ser motivadoras, desafiadoras, indo além do livro didático. Não há, nos dias de hoje, como lançar um conteúdo apenas através de uma conversa informal. Dar uma aula de ciências só mostrando figuras de um livro didático, ensinar física e matemática decorando fórmulas e a tabuada, aprender português sem escrever e lendo muito pouco, entender história sem trabalhar o conceito de tempo. Nossos alunos merecem mais. E a escola está oferecendo muito pouco.
        Diversos professores não conseguem perceber que seu aluno não aprende porque necessita de uma aula mais motivadora, mais interessante. Que ele quer uma abordagem diferente sobre o tema para que consiga entender. Muitos ainda se comportam como professores do século retrasado, tempo em que estes eram considerados os donos do saber e os alunos, meros depositários dos conhecimentos dos docentes. Lógico que, algumas vezes, o problema não está na aula, nem no trabalho do professor, mas este precisa ter conhecimento e sensibilidade suficientes para encaminhar o aluno ao especialista mais adequado.
        As aulas precisam ser mais atraentes, professores precisam potencializar a inteligência de seus alunos. E isso é fácil!! Jogos, dramatizações, desafios, são atividade simples que ajudam a estabelecer entre educandos e educadores uma relação de mais confiança e afetividade. Não é o aluno que deve se adaptar à maneira como o professor ensina. É o professor que deve ter sensibilidade para encontrar o estilo de aprendizagem de cada um e abordar a mesma informação de maneiras diferentes. Porém, isso dá trabalho.... E o professor está cansado, desmotivado, endividado... Desvalorizado...
        O professor, de modo geral, não tem dinheiro pra se dedicar a um único emprego, pra se qualificar, fazer cursos, estudar. Não tem tempo pra ler, pra escrever. Dá aulas, corrige trabalhos, elabora provas, mas se capacita muito pouco. Há aqueles que ainda lutam, que buscam coisas novas, mas não são a maioria. E isso é muito triste... Não conseguiremos a valorização dessa profissão tão importante enquanto houver professores que se sujeitem a receber por seu trabalho, menos do que o piso da categoria, que não se importem de não ter a carteira assinada, que não se qualificam, que não leem, que continuam escrevendo tão mal, com erros tão gritantes que afrontam a língua portuguesa.
        Só seremos um país sério, com professores valorizados e bem remunerados quando, mesmo com dificuldade, esse profissional buscar a qualificação e só aceitar empregos em locais sérios, nos quais seus esforços serão valorizados. Quando o professor conseguir trabalhar de forma interessante para os alunos, tanto o conteúdo a ser estudado, quanto os aspectos emocionais que facilitam a aprendizagem, aí sim, poderemos pensar que algo vai mudar.
        E a minha avó? Como conseguiu, se naquela época neurociência era um tema completamente desconhecido? Os antigos tinham sensibilidade... Ela conhecia seus filhos, eles brincavam e se desenvolviam naturalmente, o amor, a relação existente entre eles e a disponibilidade foram fatores essenciais. Mas isso já é uma outra história....

 

 

 

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