google-site-verification=0JYI1d-d14OpUVr1E6zaPhdaSX5FEgFGg3ThSj-5cGc

O tempo e a escola.

 

 

O que é o tempo?

Por que dizemos que nunca temos tempo?

Por que sempre precisamos de mais tempo?

Como usamos o nosso tempo? É realmente possível ter mais tempo?

E para que queremos mais tempo? Pra descansar? Pra trabalhar? Pra criar coisas novas? Pra fazer o que deve ser feito? Qual a nossa relação com o tempo?

Existem três aspectos que devemos considerar em relação ao tempo: o instante de ver, o tempo de compreender o que foi visto e o momento de concluir o que se viu.

Cronos e Kairos são termos gregos para designar o tempo. Cronos é o tempo medido pelo relógio, calendário, rotina. É o tempo determinado dentro de um limite. Kairos significa o momento certo, oportuno. Refere-se a um aspecto qualitativo do tempo.

O professor vive escravo do tempo. Tem Cronos ao seu lado, com a sua medida das horas, dos tempos de aula, das semanas, do planejamento. É tempo de entrega, tempo de correção, tempo de avaliação... Como administrar todo esse tempo que parece que corre contra nós? 

Mas esse tempo quantificado, burocrático, marcado por prazos determinados, datas e

calendários precisa ser ressignificado, valorizado, vivido com qualidade a cada instante. É Kairós cuja ação deve mudar o sentido interior das nossas atividades diárias, dando valor aos detalhes do dia a dia e tornando tudo mais pleno e feliz.

Não é fácil integrar esses dois tempos (Cronos e Kairós), mas toda a burocracia é necessária para que possamos viver um tempo pleno, de conquistas e felicidade. A alegria do dever cumprido, o entusiasmo por uma etapa vencida, por um projeto concluído, por um ano que termina.

O professor precisa de tempo. Todos nós precisamos de tempo. Tempo pra trabalhar, tempo pra criar, tempo livre, tempo para fazer o que quiser fazer. Ter tempo está ligado à autonomia, a liberdade, mas que muitas vezes parece o oposto do tempo de trabalho.

Será que esse tempo que o professor vive no seu trabalho está sendo realmente produtivo? Ele tem um horário a cumprir e dessa forma, “vende” a sua hora de vida e perde a autonomia sobre o seu próprio tempo. Se isso não for vivido com entendimento e qualidade vira tortura e escravidão da alma, do tempo, de Cronos.

A propósito, a escravidão e a tecnologia foram fatores que fizeram com que o conceito de trabalho das pessoas fosse mudado e, junto, a sua relação com o uso do tempo. O tempo físico, o tempo on line, o tempo virtual. A escravidão aprisiona as pessoas num tempo presente e a tecnologia pode aprisionar num tempo futuro, mas também pode facilitar e otimizar o uso desse tempo. É preciso saber fazer bom uso dela.

E o tempo livre? O tempo de lazer? O tempo de não se fazer nada? O tempo do ócio! Mas o ócio criativo está ligado à criação, ao compromisso com você mesmo. Com o silenciar a mente para trazer a tona o que é novo, o que pode ser diferente, e esse trabalho criativo é totalmente intelectual. E de certa forma está ligado ao trabalho do professor, já que este tem a possibilidade de criar, de inovar, de buscar coisas novas e, dentro da sua sala de aula, fazer algo interessante.

Mas até para ser criativo precisa de uma preparação, de uma formação. E o professor está realmente preparado para ser criativo? Para atuar criativamente com seus alunos? Cabe na estrutura da escola de hoje se estimular um ócio mais criativo? Como cobrar a criatividade do aluno se eu mesmo não exerço e não exercito a minha?

Será que educamos os nossos alunos para serem criativos? Para aprenderem a usar o tempo livre fazendo algo realmente interessante?

O que acontece no espaço escolar que era pra ser tão prazeroso e criativo e que na verdade é um lugar pesado, chato e enfadonho para o aluno e, muitas vezes, para o professor também? Falta sincronia entre a escola e a sociedade, entre a escola e a vida em toda a sua plenitude. O Brasil ainda vive na era industrial, num tempo em que homens e máquinas viviam juntos. Em que trabalho e tempo livre andavam em paralelo, nunca se fundindo. A pessoa trabalhava pra descansar depois e trabalhar mais em seguida. Só que não estamos mais na era industrial e agora o grande desafio é produzir indivíduos criativos, que possam fazer bom uso do tempo criando, se divertindo, mas também produzindo com eficiência. 

Mas a questão é: Como dividir o tempo da escola para que ela seja mais criativa? Que espaços precisam ser criados dentro da escola para que as pessoas se encontrem? Quais espaços promovem a interação? Porque as pessoas precisam de tempo para criar e o professor não tem esse tempo.

Como diminuir o tempo operacional do professor? Em muitas escolas ele não atua como

mediador, como condutor do conhecimento, mas como um produtor de questões e sua prática se torna quase que totalmente robotizada.

Hoje o tempo linear não existe mais. O tempo é descontínuo.

Como transformar as escolas e prepará-las para o futuro, para a era pós industrial? Como levar nossos alunos a aprenderem para o futuro se a escola continua presa ao passado? Há que se otimizar processos, modernizar procedimentos e capacitar o professor para que o mesmo consiga se libertar das amarras do tempo e viva, em sua plenitude, seu tempo de ensinar e seu tempo de aprender.

No dia a dia o que deve contar é a disponibilidade interior de viver todo o tempo com entrega e amor, em valorizar não só as próprias atividades cotidianas, mas também as dos outros. É preciso sentir a vida mesmo através das tensões provocadas pelas necessidades do mundo moderno e perceber que um instante que passou não volta mais. É preciso sensibilidade para entender que o tempo, como dizia Rubem Alves, tanto pode ser medido pelas horas de um relógio, como também pode ser sentido pelas batidas do coração.

“Xipat oboré”* para todos!

 

. * saudação indígena que significa: “Tudo de bom pra você! Que seu caminho de

luz se estenda e nunca acabe.”

Share on Facebook
Please reload

Posts Em Destaque

Entre soldados, fazendeiros e poetas...

February 22, 2020

1/10
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo