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COMO ORGANIZAR OS ESPAÇOS NA SALA DE AULA PARA GARANTIR UM AMBIENTE ALFABETIZADOR

              

 

            Uma sala de aula tanto da educação infantil e, sobretudo, nas séries iniciais do Ensino Fundamental deve propiciar situações de uso da linguagem, permitindo o livre acesso a livros de literatura, gibis, revistas, jornais e a todo o tipo de material escrito. Esse contato estimula a curiosidade e permite que a criança vá fazendo escolhas, buscando aquilo que lhe dê prazer em ler.

            É importante também criar momentos especiais de leitura como: “A hora do conto”, durante a qual o professor irá ler um livro; “A hora do “causo”, quando uma criança irá contar uma história narrada por seus pais, avós ou qualquer outra pessoa de sua comunidade; “A hora da leitura”, quando cada um pode escolher livremente um livro para ler; ou  “A hora da novidade”, quando as crianças em roda contam o que quiserem.

            A sala de aula deve ser um ambiente onde ler seja realmente uma atividade significativa, importante, prazerosa e necessária. E, para que isso ocorra, o professor deve compartilhar as suas próprias leituras com os leitores que quer formar: seus alunos. Por isso, precisa saber contar histórias, demonstrar entusiasmo por aquilo que lê, mostrar que leu os livros do acervo da sala e que está sempre ansioso para ler novos livros e novas publicações. Em síntese, a sala de alfabetização deve ter, essencialmente, um alfabetizador leitor.

            Ler é ler escritos reais. A escrita real, portanto, deve estar presente em toda a sala de aula. Onde? No livro de alfabetização apenas? Certamente que não.

            Os escritos reais estão no quadro de avisos, no cantinho da leitura, nos panfletos, nos cartazes, nas embalagens, no painel, nas etiquetas, nos lembretes, na caixa de correio, na lista com os nomes dos alunos, no calendário e em outros tantos veículos utilizados para registrá-los e divulgá-los.

            Entretanto, o ritmo de construção dos conhecimentos é particular e individual, o que faz com que cada um aprenda de um modo e num tempo diferente. Por isso a grande maioria das classes é heterogênea. Mesmo quando o professor tem a impressão de que todos os alunos estão caminhando juntos, há sempre os que vão mais rapidamente e aqueles que necessitam de mais tempo para enfrentar e superar os desafios.

            Mas o que fazer, então, com as diferenças individuais?

            Como sugerir uma lição para uma turma em que a metade já sabe ler e escrever bem, um grupo está no meio do caminho e algumas crianças só reconhecem algumas palavras?

            Este é um dos maiores desafios para o alfabetizador.

            A tradição escolar mostra que as classes homogêneas são mais adequadas para o processo de aprendizagem. Isto é coerente com a ideia de que o conhecimento é transmitido passo a passo e que só é possível de se dedicar ao desafio seguinte quando o primeiro foi superado pelos alunos. Isso, no entanto, supõe um processo de aprendizagem padronizado e linear. Qualquer educador atento já se deu conta de que na sala de aula as coisas não acontecem dessa forma.

            Apesar desse conhecimento prático, muitas vezes o professor continua trabalhando como se os alunos tivessem de caminhar juntos e receber as mesmas informações, em uma mesma etapa. Trata-se de uma ilusão de controle e ordem no processo de aprendizagem que as ideias mais modernas já demonstraram não existir.

            Numa turma de 1º ano, que é oficialmente a classe de alfabetização, a diversidade não é apenas uma realidade, mas pode também se transformar num aspecto positivo e enriquecedor do trabalho. Para isso é importante que o professor dedique algum tempo planejando como usar as diferenças entre os alunos de modo produtivo, sem estigmatizá-los ou classifica-los.

            Já que aprender a ler e aprender a escrever devem ser processos compartilhados em que as dúvidas de um aluno se transformem em desafios para o outro, a sala de aula deve ser, então, um espaço em que muitos têm informações a dar, não sendo esta tarefa apenas do professor. O desafio do bom professor alfabetizador é encontrar situações em que a interação, a troca de conhecimentos e a circulação da informação sejam favorecidas e estimuladas.

            Planejar atividades diversificadas é uma boa solução para esta questão, ou seja, organizar os alunos em subgrupos de modo que cada um deles realize tarefas distintas. Mas essa opção nem sempre é viável.

            O trabalho realizado em classe deve considerar diferentes possibilidades de interação entre os alunos. A sala de aula, cenário das diversas situações de aprendizagem, não pode ser um espaço imutável. Pelo contrário, deve ser flexível e adequar-se à proposta planejada pelo professor. Mesas e cadeiras fixas dificultam tanto a discussão em pequenos grupos quanto a roda de conversa ou as atividades diferenciadas nos cantos da classe. Ainda que a sala de aula seja pequena, muitas mudanças são possíveis para permitir maior adequação à atividade.

            Todos os espaços escolares devem ser considerados educativos. Sair da classe para realizar determinada proposta ou expor trabalhos em murais externos, por exemplo, pode contribuir para a autonomia das crianças no espaço da instituição.

            A sala de aula deve permitir várias configurações. Se a atividade implica centrar a atenção dos alunos no professor, é conveniente ter mesas e cadeiras viradas para a lousa. Em casos como esse, a roda não é favorável porque facilita o intercâmbio entre as crianças, comprometendo a atenção do grupo. Quando a proposta é, por exemplo, ler e discutir coletivamente uma notícia de jornal, então a roda é uma ótima opção, porque todos se veem e podem ouvir melhor uns aos outros.

            Afastar mesas e cadeiras para a roda, agrupá-las para trabalhos coletivos, distanciar o mobiliário para montar um mural são algumas das possibilidades que devem ser consideradas pelos professores quando estão planejando diferentes situações para a sala de aula.

Seguem exemplos de situações de aprendizagem propostas cotidianamente e que implicam na organização de ambientes variados em sala de aula:

- montar uma loja, um supermercado, um mural;

- discussões em grupos de tamanhos variados;

- trabalhos em duplas;

- atividades individuais;

- jogos coletivos como um bingo.

            Um aspecto importante com relação à organização da sala é a participação dos alunos e a autonomia que devem ter para circular pela classe e usufruir de tudo o que ela dispõe. Ao longo de um dia, muitas vezes, a classe precisa sofrer alterações em sua organização. Contar com as crianças em tarefas como essas é muito importante. No entanto, é preciso que o professor compartilhe com a turma por que e, para que, as mudanças serão feitas. As sugestões dos alunos são sempre bem vindas: “Podemos jogar o bingo de nomes no chão?”; “Vamos juntar as mesas para fazermos juntos um desenho?”; “Vamos fazer a leitura em roda?”

            É importante que as crianças conheçam bem o ambiente da classe, tanto para identificar algumas possibilidades no seu uso, como para se tornarem cada vez mais autônomas nessa tarefa. Os alunos precisam saber onde ficam guardados os materiais que vão utilizar: gibis, livros, lápis, canetas, papel, notícias de jornal ou imagens dos animais que estão estudando.

            As crianças de 6 a 8 anos já têm mais possibilidades de trabalhar em equipe do que as crianças menores. O professor pode tornar frequentes as propostas de trabalho em diferentes agrupamentos. Nessa faixa etária, o trabalho em equipe realmente passa a ser um meio importante para promover a socialização e a cooperação, para atender aos diferentes níveis de aprendizagem, resolver problemas de dinâmica grupal, tornar possível a aprendizagem entre iguais. Há várias parcerias que podem ser formadas numa escola e, da mesma maneira, diversos são os critérios utilizados para organizá-la.

            É possível promover diferentes agrupamentos, desde que se avalie a adequação da parceria a ser formada no que se refere à proposta e aos objetivos do trabalho a ser realizado. Os alunos podem atuar individualmente, no grupo da classe, em equipes variadas e também em duplas, tudo vai depender de como o professor pretende desenvolver suas atividades a fim de atingir seus objetivos.

 

OBS:

 

*Este texto está no livro: ALFABETIZAÇÃO COMPLETA, de Luciana Martins Maia.*

 

*Segundo texto da Série: GERENCIANDO O ESPAÇO E O TEMPO NO AMBIENTE ESCOLAR, publicada no Blog Letra Viva, do IDCPro (https://www.idcp.com.br/letraviva)

 

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