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O GERENCIAMENTO DO TEMPO E DA ROTINA ESCOLAR



O fator tempo desempenha um papel decisivo na configuração das propostas metodológicas nas escolas. Numa perspectiva racional, a variável temporal seria resultado e consequência das decisões tomadas em relação às outras variáveis como: a sequência didática, o tipo de atividade, a organização dos conteúdos - para além da necessidade, sobretudo com os menores, de orientação no tempo e de segurança pessoal.

Em geral o tempo parece ser um fator intocável, já que os períodos entre meia e uma hora, determinam o que é que se tem de fazer e não o contrário. Apesar de não existir nenhum estudo científico que conclua que a hora é o melhor tempo para aprender, a distribuição horária em frações homogêneas exerce uma forte pressão sobre as possibilidades de atuação na aula. Muitas das boas intenções podem fracassar se o tempo não for considerado como uma autêntica variável nas mãos dos professores, para utilizá-la conforme as necessidades educacionais que se apresentam em cada momento.

Quando a tarefa educativa se limita à exposição, ao estudo ou à realização de exercícios individuais padronizados, o fator tempo importa pouco. Em todo caso, é suficiente que exista uma certa variedade de conteúdos durante o dia. A estruturação horária em períodos rígidos, sejam de uma hora ou de 45 minutos, ou mesmo meia hora, é o resultado lógico de uma escola fundamentalmente transmissora. A ampliação dos conteúdos educativos e, sobretudo, uma atuação consequente com a maneira como se produzem as aprendizagens, nos leva a reconsiderar estes modelos inflexíveis.

Os debates, os trabalhos em grupo, as atividades de motivação, a continuidade e o encadeamento de muitas atividades nas sequências didáticas devem atender às necessidades de se estabelecer o máximo de relações entre as atividades. No entanto, o professor precisa ter em mente como essas e outras atividades condicionam o interesse e a atenção dos alunos.

O que acontece quando o ritmo se rompe justamente quando havíamos conseguido uma boa participação? E se isso acontece no momento mais interessante de um debate, de uma experiência ou de uma observação? Conseguir captar o interesse dos alunos é suficientemente difícil para condicioná-los à arbitrariedade de um horário que não se adapta às necessidades educacionais.

Existem certas tarefas que podem ser executadas em 15 minutos ou conteúdos que podem ser maçantes se trabalhados durante um período de tempo mais prolongado. Porém, ao contrário, há atividades e conteúdos que merecem uma dedicação muito mais prolongada. No entanto, é evidente que o ritmo da escola, de toda uma coletividade, não pode se deixar levar pela aparente improvisação, principalmente quando existe mais de um professor encarregado de um grupo. No entanto, o planejamento necessário, não impede que, apesar das dificuldades, se estabeleça um horário que pode variar conforme as atividades previstas no transcurso de uma semana.

A carga de trabalho do professor costuma ser grande: parece que o tempo é curto para tudo o que é preciso realizar. É necessário aprender a gerenciar o tempo e compartilhar isso com as crianças no dia-a-dia escolar.

A organização do tempo na escola precisa ser entendida em dois níveis:

  1. Curricular: distribuição dos conteúdos a cada ciclo, série ou período;

  2. Planejamento do professor: distribuição das atividades ao longo de um mês, de uma semana ou de um dia.

Embora ambos sejam de extrema importância, vamos abordar apenas a questão do planejamento do professor, pois o objetivo, no momento, é tratar de aspectos relativos à rotina da classe. Para a organização do tempo, o professor deve exercer duas funções: programar a sequência de atividades e estimular os alunos a participarem do gerenciamento do tempo.

A programação das sequências de atividades, ao longo do dia, da semana ou do mês, depende da organização própria do professor e das exigências da escola. Isso implica considerar – tendo em mente os objetivos de cada atividade, as peculiaridades da área, dos conteúdos envolvidos e a demanda da faixa etária ou daquele grupo em especial – o tempo de duração necessária e possível a cada uma delas.

Conhecer bem os conteúdos, as características da faixa etária do grupo, bem como a dinâmica da classe, permitem ao professor estabelecer previamente o tempo que destinará às atividades de cada dia. No caso de um grupo de crianças menores ou mais inquietas, as atividades que necessitam de maior grau de concentração e que requerem atenção centrada no professor não podem ter duração longa. Da mesma forma, se o grupo volta do recreio agitado, esse pode ser um bom momento para encaminhamentos que levam ao bem estar corporal. Isso ajuda no relacionamento entre os alunos e contribui para o sucesso de outras atividades planejadas para o dia.

A segunda tarefa do professor é tornar os alunos participantes no gerenciamento do tempo. Para tornar os alunos participantes desse processo é preciso:

- Permitir que eles tomem algumas decisões, como determinar o tempo necessário para uma tarefa ou até escolher os momentos do dia para realizar uma atividade;

- Compartilhar com o grupo a rotina proposta, o que pode ser feito explicitando e escrevendo na lousa as atividades do dia e os trabalhos a serem realizados durante a semana, por exemplo. Além de favorecer a autonomia das crianças, isso permite que elas controlem o tempo que têm para fazer uma tarefa.

No caso de crianças menores, essas atitudes são importantes porque seu controle sobre as atividades, em geral, não se baseia em horas ou minutos, mas no conhecimento que têm da própria rotina de sua classe. Elas sabem que podem levar todo o tempo antes do recreio para realizar determinada proposta, ou que devem começar depois da leitura e concluir até a aula de educação física, por exemplo. Com isso, elas podem também se orientar para as atividades permanentes (aquelas constantes, que se repetem na rotina). Ficam sabendo em que dias terão aulas de Artes e Educação Física ou quando acontecem as rodas de jornal e as rodas de leitura, por exemplo.

Na elaboração da rotina diária e do planejamento semanal, quinzenal ou mensal, cabe ao professor considerar mais um fato: a flexibilidade para ajustar a rotina planejada às circunstâncias, como o fato de, por exemplo: chover e não ser possível deixar as crianças no pátio na hora do recreio; o grupo estar excessivamente agitado e não ser produtivo realizar uma discussão coletiva; ou as crianças levarem mais ou menos tempo para realizar uma tarefa específica.

Da mesma forma, é preciso ser flexível quanto aos temas de trabalho, evitando, por exemplo, “quebras”, “cortes artificiais” no desenvolvimento da atividade (interromper uma proposta importante que esteja contando com o envolvimento das crianças, apenas para seguir a rotina planejada).

Elaborar uma rotina para um grupo pressupõe, portanto, considerar esses elementos analisados e planejar a constância e a surpresa. As atividades constantes são as essenciais, tão importantes que se repetem durante todo o ano. São aquelas que atuam para os alunos como indicadores da passagem do tempo, dão referência e serão úteis para toda a vida escolar. Mas para que os dias escolares não sejam aborrecidos e repetitivos, o professor deve estar atento para promover, eventualmente, as surpresas. Dias diferentes, a quebra da rotina, a exploração de outros ambientes da escola, tudo isso pode tornar a turma mais unida e a vida em grupo mais dinâmica.

Procurar atender aos interesses do grupo, sem perder de vista os compromissos escolares, pode ser motivador e fundamental para garantir que os alunos gostem da escola, sintam-se desafiados e envolvidos com os projetos propostos.


OBS:

*Este texto está no livro: ALFABETIZAÇÃO COMPLETA, de Luciana Martins Maia.

**Terceiro texto da Série: GERENCIANDO O ESPAÇO E O TEMPO NO AMBIENTE ESCOLAR, publicada no Blog Letra Viva, do IDCPro (https://www.idcp.com.br/letraviva)

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